Atividades de lavra, extração, transporte ou comercialização de minério não podem ser feitas na Mina da Terra Seca pela LMA Mineração
A Justiça mineira determinou a imediata paralisação das atividades da LMA Mineração em uma área conhecida como Fazenda Mina da Terra Seca, na divisa entre Belo Vale e Congonhas, na região Central, graças a uma liminar concedida pela juíza Adriana Garcia Rabelo, da 16ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte.
A magistrada suspendeu de imediato todas as atividades de lavra, extração, transporte ou comercialização de minério por parte da LMA Mineração, arrendatária da área hoje pertencente à USD Tecnologias. O descumprimento da medida poderá acarretar multa.
O Hoje em Dia teve acesso à íntegra da decisão, com data de 26 de março, motivada após pedido de tutela cautelar ajuizado pela USD Tecnologias. Na ação, que corre em segredo de justiça, a empresa denuncia suposta operação irregular na mina.
No pedido de liminar, o autor cita, por exemplo, a preparação de explosões com dinamite na propriedade, o que poderia provocar danos irreparáveis ao meio ambiente, colocando também em risco a segurança dos trabalhadores da própria mina.
As extrações de minério também são alvo da liminar. Conforme o contrato de arrendamento firmado em 2011, antes da aquisição da área pela USD, as retiradas de ferro e de manganês podem ocorrer na mina da Terra Seca. No entanto, estariam sendo feitas acima dos limites estabelecidos.
Após analisar os autos, a juíza Adriana Garcia Rabelo entendeu que os requisitos exigidos para a tutela cautelar foram comprovados. A magistrada cita "o perigo de dano, uma vez que a continuidade das atividades poderá acarretar em consequências drásticas".
Procurada, a LMA Mineração informou que avalia os termos da liminar, por meio de sua assessoria jurídica, e que tomará as providências cabíveis dentro do devido processo legal. "Salientamos que nossa atividade na área, há mais de 15 anos, sempre foi e é pautada pela mais absoluta regularidade e legalidade", informou a empresa.
Atividades irregulares envolvendo a mineração são constantes em Minas. No mês passado foi divulgado o relatório "Conflitos da Mineração no Brasil", elaborado pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
Foram contabilizadas 901 ocorrências em 786 localidades, no ano de 2023. São considerados danos que vão desde o sofrimento humano até os impactos socioeconômicos nas comunidades afetadas.
Minas concentra 30% dos registros. O Estado também encabeça a lista de atingidos: 31,9% de todas as pessoas envolvidas em conflitos de mineração.
No fim do ano passado, uma mineradora de Papagaios, na região Central de Minas, foi alvo de dois mandados de busca e apreensão devido à extração mineral irregular. As investigações apontam que o crime ocorria há "vários anos", gerando danos ao meio ambiente e à economia, conforme relatório da Polícia Federal.
Outro caso recente ocorreu na Serra do Curral, em BH. Uma mineradora suspeita de praticar atividades irregulares foi interditada pela prefeitura da capital. A mineradora foi notificada por crime ambiental gravíssimo, com multa de R$ 64 mil.
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