Preço da cesta básica do Dieese sobe em 16 capitais

Carla Araújo
08/04/2013 às 13:54.
Atualizado em 21/11/2021 às 02:38

Apesar da recente desoneração de alguns itens que fazem parte da cesta básica, os preços do conjunto de alimentos essenciais continuaram a trajetória de alta e subiram em março em 16 das 18 capitais onde o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) realiza, mensalmente, a Pesquisa Nacional da Cesta Básica.

As maiores elevações, de acordo com o levantamento, foram apuradas em Vitória (6,01%), Manaus (4,55%) e Salvador (4,08%). As duas capitais que apresentaram queda foram Florianópolis (-2,25%) e Natal (-1,42%). São Paulo continuou a ser a capital com o maior valor para a cesta básica (R$ 336,26). Depois aparecem Vitória (R$ 332,24), Manaus (R$ 328,49) e Belo Horizonte (R$ 323,97). Os menores valores médios foram apurados em Aracaju (R$ 245,94), João Pessoa (R$ 274,64) e Campo Grande (R$ 276,44).

Acumulado

No primeiro trimestre deste ano, todas as 18 capitais pesquisadas registraram expansão nos preços da cesta básica. As maiores elevações acumuladas no ano foram em Salvador (23,75%), Aracaju (20,52%) e Natal (16,52%). Já Florianópolis (5,97%), Belém (7,47%) e Curitiba (8,65%) tiveram as menores altas.

Em 12 meses, na comparação com março do ano passado (quando o Dieese divulgava a estimativa de preços da cesta básica em 17 capitais, sem os dados de Campo Grande), houve aumento acima de 10% em todas as regiões, com as maiores variações em Fortaleza (32,78%), Salvador (32,63%) e João Pessoa (28,01%). As menores variações foram verificadas em Belém (19,09%), Curitiba (19,78%) e Florianópolis (20,29%).

As capitais pesquisadas mensalmente pelo Dieese são Vitória (ES), Manaus (AM), Salvador (BA), Belo Horizonte (MG), Aracaju (SE), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Campo Grande (MS), Belém (PA), João Pessoa (PB), Brasília (DF), Fortaleza (CE), Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Goiânia (GO), Recife (PE), Natal (RN) e Florianópolis (SC).

Carne ficou mais barata em 15 de 18 capitais, diz Dieese

A carne bovina, item de maior peso na composição do valor da cesta básica, ficou mais barata em março em 15 das 18 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

As maiores quedas foram registradas em Brasília (-3,97%), Natal (-3,24%) e Goiânia (-3,14%). Houve aumento em três capitais: Florianópolis (4,35%), Rio de Janeiro (2,08%) e Manaus (0,65%). Segundo o Dieese, de modo geral, os preços no varejo podem estar relacionados às reduções do valor da arroba e também à oferta de carnes nos frigoríficos.

O Dieese destaca ainda que a desoneração da carne, um dos cinco itens da cesta básica beneficiados pela medida de redução de imposto do governo federal, influenciou o comportamento de queda de preço do item.

Na comparação anual, no entanto, houve recuo apenas em três localidades: Belém (-3,08%), Porto Alegre (-0,99%) e Curitiba (-0,80%). Neste mesmo intervalo, a carne ficou mais cara em 14 regiões, destacando-se Salvador (17,02%), Florianópolis (14,41%) e Vitória (7,45%).

Supermercados

O Índice de Preços nos Supermercados (IPS/APAS) divulgado nesta segunda-feira pela Associação Paulista de Supermercados (Apas) confirma a redução nos valores das carnes, que caíram 3,90% março. Segundo a Apas, que congrega 1.200 associados no Estado, considerando que o processo de desoneração dos produtos da cesta básica ocorreu no dia 8 de março, o IPS apontou redução de 0,38% nos itens da cesta básica. Além da carne, manteiga, café, açúcar e óleo foram beneficiados pela medida.

Das carnes que apresentaram redução no preço, segundo a Apas, o destaque foi a picanha (-9,44%), seguido por contrafilé (-8,67%), alcatra (-7,52%), filé mignon (-5,57%) e fígado (-5,56%).

De acordo com o presidente da Apas, João Galassi, apesar de já ser possível observar diminuição nos preços dos produtos desonerados, "o repasse integral dos descontos por parte da indústria deverá ocorrer na reposição dos estoques ao longo de abril". A medida provisória nº 609, publicada no dia 8 de março, zerou as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins, da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da Cofins-Importação, incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a importação de produtos que compõem a cesta básica.

Segundo Galassi, "considerando a inflação ao longo dos últimos 12 meses, a redução dos preços desses produtos tem relação direta com a desoneração da cesta básica". Ele explica, ainda, que a inflação subiu (0,60%), mas como previsto pelo setor, "com a redução da carga tributária os preços dos itens da cesta básica apresentaram queda".

IPC-S

O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), medido pela Fundação Getulio Vargas e divulgado nesta segunda-feira, também confirmou a tendência de queda nos preços das carnes. O indicador, que passou de 0,72% para 0,71% da última quadrissemana de março para a primeira deste mês, teve como principais influências de baixa a redução no preço da alcatra (de -5,14 para -5,27%), do contrafilé (de -5,97% para -5,04%) e da costela bovina (de -2,31% para -3,20). O IPC-S é calculado por meio da medição de preços em sete capitais do País: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília.

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