Mineiro de Uberaba

‘Queremos chegar a 200 milhões de entregas por mês em 3 anos’, diz CEO do iFood

Diego Barreto revela planos da plataforma de delivery no país

Bernardo Haddad
@_bezao
25/08/2025 às 07:00.
Atualizado em 26/08/2025 às 08:21
Diego Barreto, CEO do iFood (Divulgação/ iFood)

Diego Barreto, CEO do iFood (Divulgação/ iFood)

Nascido em Uberaba, no Triângulo Mineiro, Diego Barreto tem metas ousadas para o iFood nos próximos anos. Segundo o presidente da plataforma de delivery, o objetivo é chegar à marca de 200 milhões de entregas mensais até 2028. Atualmente, o app envia 120 milhões de pedidos a cada 30 dias. 

Aos 38 anos, o mineiro participou este mês do iFood Move 2025, em São Paulo. Diego anunciou que a plataforma promete investir R$ 17 bilhões no Brasil até março de 2026, com a contratação de 1,1 mil trabalhadores, todos com foco em tecnologia – 600 profissionais já foram selecionados e outros 500 serão chamados.

Durante o iFood Move, considerado o maior evento para restaurantes da América Latina, Diego também apresentou o iFood Hits, criado para que os estabelecimentos ofereçam refeições completas e atrativas, destacando os principais pratos do cardápio com preços acessíveis e entrega grátis. A iniciativa, que está ativa em Belo Horizonte, é uma das inovações da plataforma para se manter “atualizada”.

A plataforma de delivery conta com mais de 400 mil lojistas parceiros e 400 mil entregadores cadastrados. 

Como foi sua infância em Uberaba?

Sou filho de uma família de classe média. Não posso reclamar. Tive acesso a tudo. Pude estudar, comer, me divertir numa família de empreendedores. As coisas sobem, descem, sobem, descem.... Meu pai criou uma empresa e fazia transporte de carga pesada. Minha vida foi trabalhando com meu pai. Troquei muito pneu de caminhão. Ele me levava nas reuniões. Vi meu pai arrumando grandes contratos, perdendo grandes contratos, contratando gente, demitindo gente. Vi de tudo. Eu tinha minha mãe também que não foi para faculdade, porque casou muito cedo com meu pai e naquela época o padrão social era a mulher cuidar dos filhos. Então, minha mãe foi a responsável pela educação em casa, pelo colégio e por tudo mais. Aos 21 anos eu saio de lá e venho para São Paulo para fazer faculdade.

Como o iFood chegou na sua vida?

Aos 30 anos fui estudar fora para fazer meu MBA, em 2014. Cheguei lá e encontrei um “troço” chamado tecnologia digital. Em 2014, a gente mal usava o smartphone, o Instagram estava começando, o WhatsApp não era usado por todo mundo, a Tesla nem era considerada algo viável ainda. Fiquei um ano estudando em período integral e voltei mexido. A rede permitiu o dado trafegar para todo mundo na palma da mão. Você volta no tempo, não tinha isso. Era tudo baseado no capital. Você tem dinheiro? Tem. Então você constrói um prédio. Agora não. E essa ficha caiu. Quando eu volto para o Brasil, 2015, eu era diretor financeiro da Suzano Papel e Celulose e começo a procurar quem trabalhava com isso no Brasil e descobri algumas startups. E aí, eu vou conhecendo, vou me enfiando...

Como o iFood pensa em expandir e melhorar os serviços?

Se você for lá no iFood vai ver que um dos nossos valores é sonhar grande. A gente não define onde quer chegar com base na racionalidade. A gente define com base na irracionalidade. Então, a gente fala assim: “Vou fazer uma meta para esse ano”. Ninguém traz um excel e fala: “fiz uns cálculos matemáticos e dá para crescer 10%”. A gente olha e fala: “Vamos crescer 40?” A resposta é: “vamos”.

A inovação existe porque o sonho é grande. Hoje faço 120 milhões de entregas por mês. Eu quero chegar em três anos em 200 milhões. Hoje eu atendo 55 milhões de brasileiros, em 3 anos quero atender 80 milhões.

 Mas como trazer mais usuários para a plataforma?

O delivery, hoje, ainda não consegue atender a todas as ocasiões. O almoço de segunda a sexta ainda não é uma ocasião bem atendida. A janela de tempo para comer é muito curta. Quando você chega à noite na sua casa, você fala: “Ah, daqui 4 horas vou dormir”. Então, eu posso pedir um negócio que chega daqui 40 minutos. No almoço não dá. Temos concentrado há muito tempo esforços em novos modelos operacionais, muita tecnologia e muita parceria com os restaurantes para poder viabilizar soluções que entregam em ocasiões como esse exemplo que dei. Essa é uma das coisas que a gente anunciou aqui, que foi o iFood Turbo. 

Investir na própria tecnologia é difícil?

A dificuldade é zero. A dificuldade é sempre achar uma solução disruptiva. O nosso time é um time de classe mundial. O iFood não está atrás de nenhuma empresa de tecnologia no mundo. Tenho 190 modelos proprietários de inteligência artificial. Brasileiro é muito talentoso, não tenho problema com a mão de obra no Brasil. Ela é mais escassa que em outros lugares, mas ela não tem menos qualidade. 

Mesmo com o sucesso da plataforma, reclamações ainda são frequentes. Há muitos relatos de pedidos que chegam errado. Como resolver isso?

Acho que tem três coisas aí. Primeiro componente: você precisa definir o que vai ser intolerante. E nós somos intolerantes com isso. Qualquer pessoa que entra na minha rede social e manda uma reclamação, eu pessoalmente vou lá e resolvo. Porque é o momento que eu tenho de aprender o problema. Essa é a intolerância. E cara, eu tenho 55 milhões de clientes, tá? Não é que eu recebo duas mensagens por mês. Eu dedico muito tempo a isso. O segundo ponto é você ir para o front. Aliás, essa é uma frase que a gente usa muito.

Todo mês gasto um dia inteiro com restaurantes, um dia inteiro com entregadores, um dia inteiro com consumidores, um dia inteiro com parceiros, como supermercados e farmácias. Vou saber o que está acontecendo, aprendo.

E o terceiro é tecnologia proprietária. Então a soma da intolerância dá foco com o conhecimento que é ir para o front com soluções próprias que permitem você conseguir construir, não depender do que existe ou não na prateleira do mercado. 

Uma discussão recorrente é a regulamentação dos trabalhadores de aplicativos. O que é preciso para garantir mais direitos aos entregadores?

Vamos olhar em três dimensões. Na Justiça brasileira já existe um reconhecimento na grandíssima maioria das decisões que não existe vínculo. Então, aquela antiga discussão de vínculo, ela está superada. Tem pouquíssimos casos em que uma plataforma não vence esta discussão. Esse é o primeiro ponto. Segundo ponto é que a minha relação com os entregadores, que é boa. Isso não quer dizer que ela é boa com 100%, mas é com a grandíssima maioria. É uma relação de muita liberdade, de entrada na plataforma, de complemento de renda, para quem se dedica ao resultado final, um resultado bom. Isso não quer dizer que eu não tenha questões para melhorar, mas a relação é boa. Aí você fala: “mas eu já vi manifestação”. São 400 mil entregadores na plataforma. A manifestação que você viu, ela tinha quantas pessoas ou apoio, ainda que seja em redes sociais, de quantas pessoas? É importante colocar isso em perspectiva. 

E o que o iFood tem feito para assegurar esses direitos?

Tenho que garantir direitos. Hoje eu dou os direitos que eu posso dar. A flexibilidade está aí, existe uma vinculação direta com salário mínimo. Eu incluo na remuneração a amortização dos custos da moto ou da bicicleta. Só que isso eu faço, o mercado inteiro não. Então, isso precisa virar direito. Eu não dou previdência, porque por lei é proibido. A gente hoje briga, no bom sentido da palavra, no Congresso para que a gente tenha uma lei que, primeiro, institucionalize os direitos e se segundo adicione a previdência. Nós somos completamente a favor e na previdência nós temos que ser o maior contribuinte, 80% do custo previdenciário tem que ser meu. Eu arco com ele, não tenho problema com isso. É uma realidade do meu negócio.

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