Pediu pra sair

Do 'óculos futurista do tri' às hostilizações: relembre a administração de Wagner Pires no Cruzeiro

Cartola contou com Itair Machado e Sérgio Nonato no comando do clube entre 2018 e 2019, ano do rebaixamento; processo criminal contra o trio foi arquivado

Angel Drumond
esportes@hojeemdia.com.br
05/09/2024 às 20:31.
Atualizado em 05/09/2024 às 21:19
 (Vinicius Silva)

(Vinicius Silva)

O arquivamento do processo criminal contra os ex-dirigentes do Cruzeiro Wagner Pires de Sá, Itair Machado e Sérgio Nonato, após decisão é da 7ª Vara Criminal da Comarca de BH, gerou discussões e insatisfações por parte dos torcedores. Conforme o Hoje em Dia mostrou, eles eram acusados de crimes patrimoniais, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica enquanto estavam à frente do clube, entre 2018 e 2019. A administração conturbada do trio culminou no rebaixamento do time. Relembre como foi.

Wagner Pires assume em 2018 e mira grandes conquistas
No início de 2018, o Cruzeiro viveu uma fase de promessas e transformações, com Wagner Pires de Sá assumindo a presidência e Itair Machado, sendo indicado ao cargo de vice-presidente de futebol. Em pouco tempo, o ex-cartola do Ipatinga já tinha forte influência. 

O objetivo era claro: revitalizar o clube com investimentos expressivos e novas contratações. O time conquistou a Copa do Brasil e no ano seguinte o Campeonato Mineiro de 2019, justamente em cima do maior rival, o Atlético. Entretanto, a gestão ficou marcada pela queda de rendimento do time, saídas de atletas e trocas de treinadores. Em dezembro daquele ano veio o inédito rebaixamento para a Série B.

Quase 'dois times' foram contratados em menos de 2 anos 

Durante 2018 e 2019, o Cruzeiro fez uma série de aquisições. Veja as principais

2018

  • Edilson (lateral-direito, Grêmio)
  • Patrick Brey (lateral-esquerdo, Tupi)
  • Marcelo Hermes (lateral-esquerdo, Benfica-POR)
  • Egídio (lateral-esquerdo, Palmeiras)
  • Éderson (volante, Desportivo Brasil-SP)
  • Bruno Silva (volante, Botafogo)
  • Mancuello (meia, Flamengo)
  • Renato Kayzer (atacante, Tupi)
  • David (atacante, Vitória)
  • Fred (atacante, Atlético)
  • Barcos (atacante, LDU do Equador)

2019

  • Orejuela (lateral-direito, Ajax)
  • Dodô (lateral-esquerdo, Sampdoria)
  • Jadson (volante, Fluminense)
  • Marquinhos Gabriel (meia, Corinthians)
  • Rodriguinho (meia, Pyramids do Egito)
  • Ezequiel (atacante, Sport)
  • Pedro Rocha (atacante, Spartak Moscou-RUS)

Vendas milionárias também foram feitas pelos ex-dirigentes

A administração de Itair Machado também foi marcada pela venda de jogadores-chave, apesar das promessas de manter a base intacta. Os principais negócios incluíram:

  • Vitinho (lateral-direito, Cercle Brugge) - € 2,35 milhões (R$ 10 milhões) - 13/07/2018
  • Arrascaeta (armador, Flamengo) - € 13 milhões (R$ 55,25 milhões) - 08/01/2019
  • Gabriel Brazão (goleiro, Parma) - € 2,65 milhões (R$ 11 milhões) - 31/01/2019
  • Murilo (zagueiro, Lokomotiv Moscou-RUS) - € 2,5 milhões (R$ 10,9 milhões) - 18/06/2019
  • Raniel (atacante, São Paulo) - R$ 12,9 milhões - 05/07/2019
  • Lucas Romero (volante, Independiente) - US$ 2,2 milhões (R$ 8,8 milhões) - 05/08/2019

'Óculos futurista'

Confiante na equipe, Wágner Pires dizia que a Raposa seria tricampeã da Libertadores e campeã do mundo após a conquista da Copa do Brasil de 2018 e do Campeonato Mineiro de 2019. Em tom de brincadeira colocava um óculos escuro, que ele apelidou de "óculos futurista" para cravar as futuras conquistas. Mas o que aconteceu foi exatamente o oposto do que o dirigente sonhou. 

Crise e hostilizações

A gestão, apesar dos investimentos, enfrentou uma série de problemas administrativos e financeiros. As irregularidades e as denúncias de falsos contratos, atraso de pagamentos, saída de jogadores que acabaram divulgadas em um programa de grande audiência, culminaram em uma crise interna, levando à demissão de Itair Machado, ao afastamento de Sérgio Nonato e à renúncia de Wagner Pires de Sá.

A situação se agravou com hostilizações públicas. Sérgio Nonato foi hostilizado por torcedores em um bar, Itair Machado teve o carro apedrejado e Wagner também foi alvo de ofensas em vários pontos de Belo Horizonte. A situação se repetiu por diversas vezes. Mas, ao longo dos anos, acabaram esquecidos. 

O cenário turbulento e as decisões administrativas questionáveis contribuíram para a queda dramática do time no Brasileirão, resultando em um rebaixamento que foi um marco negativo na história do Cruzeiro. A administração de 2018 e 2019 se tornou um exemplo de como uma série de escolhas e circunstâncias podem impactar profundamente um clube tradicional.

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