(FLAVIO TAVARES)
O torcedor brasileiro com um pouco mais de vontade – e tempo – para se informar sobre a Seleção tem à disposição um leque quase sem fim de notícias. Emissoras de TV, portais e sites têm acesso praticamente total aos treinos do time de Luiz Felipe Scolari. Mas se engana quem pensa que esta é uma característica do povo sul-americano. Para os jornalistas dos países vizinhos, é cada vez mais difícil trabalhar na Copa do Mundo. Argentina, Uruguai e Chile escolheram Belo Horizonte e seus arredores para se hospedar durante o Mundial. Com eles, vieram centenas de jornalistas, ávidos por informar aos compatriotas cada passo de seus ídolos no Brasil. Mas não é bem assim que as coisas funcionam, e o contato com as atividades dessas três seleções se limita a poucos minutos por dia, isso nos treinos abertos. “Há anos a Argentina adotou este modelo de relacionamento com a imprensa. Não é o ideal, mas já faz parte da nossa cultura. Para mim não adianta nada, só dificulta o trabalho dos jornalistas. Eles não têm nada a esconder. Prefiro a maneira do Brasil de trabalhar, com os treinos abertos”, diz Ezequiel San Martin, do jornal argentino “El Clarín”, que vê a seleção de seu país alternar treinos fechados com atividades de apenas 15 minutos abertos aos jornalistas. A situação na cobertura da seleção uruguaia não é muito diferente. A Celeste, que está hospedada em Sete Lagoas, costuma abrir seu treino por apenas 15 minutos. O restante da atividade acontece com os portões fechados, a pedido do técnico Óscar Tabárez. “Com o tempo passamos a entender que este é o método de trabalho. Nós viemos para cá sabendo que não vamos conseguir uma matéria exclusiva, por exemplo, mas relatamos do modo mais detalhado possível tudo o que acontece com a seleção”, diz Rómulo Chenlo, editor-chefe de Esportes do diário uruguaio “La Razón”, que não discorda dessa metodologia. “Entendemos a necessidade de se esconder o trabalho, especialmente numa Copa do Mundo. Somos jornalistas, mas também torcemos pela seleção, então andamos ao lado do time”, conclui o jornalista uruguaio, que entre 1995 e 1998 comandou a assessoria de imprensa da Celeste.