(Dani Pozo)
Sete brasileiros podem vivenciar uma experiência, no mínimo, estranha a partir de 12 de junho. Quando a bola começar a rolar nos gramados canarinhos para a Copa do Mundo, Diego Costa, Thiago Motta, Pepe, Eduardo da Silva, Samir, Rômulo e Marcos González sentirão na pele o papel de vilão dentro da própria casa.
É que, caso confirme presença, essa turma fará do Mundial de 2014 o maior em número de atletas do país na condição de “inimigos íntimos”, ou seja, com a camisa de outras seleções. Os torcedores prometem muitas vaias aos “estrangeiros”.
O principal alvo da ira dos conterrâneos será Diego Costa, de 25 anos. O atacante do Atlético de Madrid recentemente disse “não” à Seleção e preferiu defender a Espanha. Natural de Lagarto, em Sergipe, ele chegou a atuar com a amarelinha nos amistosos contra Itália e Rússia, em março de 2013. Porém abandonou a Família Scolari, ao ser comunicado do interesse dos espanhóis em contar com seu futebol.
Meses depois estreava pela Roja. “Aquele momento foi complicado, uma escolha muito pensada. Tentei fazer o correto”, justificou Diego, que atua no país ibérico há sete anos e deve rumar ao Chelsea, da Inglaterra, em julho.
Nesta semana, o nome dele apareceu na lista dos 30 pré-convocados de Vicente Del Bosque para o Mundial. O brasileiro Thiago Alcántara, de 23 anos, do Bayern de Munique (Alemanha), filho do ex-jogador Mazinho, lhe faria companhia. Mas o meia não se recuperou de lesão, e a imprensa espanhola já crava seu corte.
Cara da Azzurra
inegável que Thiago Motta, 31, encarna o espírito guerreiro da seleção italiana. Só que o volante nasceu em São Bernardo do Campo (SP) e integrou as divisões de base do Brasil até a sub-23. Agora no Paris Saint-Germain, da França, ele não esconde a ansiedade de participar da primeira Copa.
Outro canarinho, o defensor Rômulo, com passagem pelo Cruzeiro, também tende a aparecer pelo Brasil com a Azzurra. Ambos figuram na pré-relação do treinador Césare Prandelli.
Alagoano português
O alagoano Pepe, de 31 anos, mudou-se para Portugal em 2001 e se naturalizou. Dunga pensou em chamá-lo. Mas já era tarde. Na Copa de 2010, teve a sensação de enfrentar a Seleção Brasileira no torneio sul-africano.
Já o atacante Eduardo da Silva, 31, e o meia Jorge Samir, 27, pegarão o time de Felipão na estreia do Grupo A, pela Croácia. O defensor Marcos González defenderá o Chile.
Até Scolari já escalou estrangeiros
Ao ver o atacante Diego Costa optar pela Espanha, o técnico da Seleção Brasileira, Luiz Felipe Scolari, manifestou publicamente o descontentamento. Na ocasião, criticou o regulamento da Fifa, que exige uma partida oficial para coibir tais “trocas”.
Só que Felipão já se valeu do mesmo princípio para fortalecer o combinado de Portugal, que comandou de 2003 a 2008. “Scolari se queixou amargamente do interesse da Espanha no atacante do Atlético de Madrid, embora tenha omitido que, quando estava com Portugal, fez a mesma ‘manobra’ com os brasileiros Deco e Pepe”, publicou o diário espanhol “AS”, em setembro do ano passado.
A dupla recebeu grande incentivo do comandante do penta para vestir a camisa lusitana, o que acabou acontecendo. Os dois disputaram juntos a última Copa, na África do Sul.
Felipão tratou de se defender, ao lembrar que Deco e Pepe nunca haviam atuado pela Seleção Brasileira. Em contrapartida, Diego Costa tinha estado no grupo do Brasil que encarou Itália e Rússia, em 2013. “Há uma grande diferença entre os casos”, ratificou o treinador.
Historicamente, seleções da Europa sempre se valeram de atletas de suas ex-colônias. Na portuguesa, por exemplo, Rolando e Nani, naturais de Cabo Verde, na África, estão na pré-lista do treinador Paulo Bento.
Irmãos rivais
Situação interessante envolve os irmãos Boateng. Jérôme, de 25 anos, é titular do Bayern de Munique e da seleção alemã. Enquanto isso, o mais velho, Kevin-Prince, 27, decidiu manter a origem ganesa. Sendo assim, os dois se cruzarão no Grupo G da Copa, que conta com Alemanha, Gana, Estados Unidos e Portugal.