( Marcelo Prates/Hoje em Dia)
O governador de Minas, Fernando Pimentel, fez um pronunciamento sobre a investigação da Polícia Federal nesta sexta-feira (26). Durante evento da Defensoria Pública do Estado, Pimentel criticou a forma como as ações foram feitas e afirmou que o caso virou “espetáculo”. “Sem dúvida nenhuma perde a Justiça, e perde muito, quando os inquéritos se transformam em espetáculos midiáticos, pirotécnicos, jogando no lixo as regras judiciais e até o sigilo judicial. E nós temos visto isso constantemente. E agora, no dia de ontem (quinta-feira), chegaram até a ameaçar pedir mandados de busca no Palácio do Governo e na residência oficial do governador”, disse Pimentel. O governador ainda questionou a necessidade de algumas medidas já adotadas pela PF durante a Operação Acrônimo. “Perde muito a Justiça com o uso excessivo, abusivo, de medidas policiais antecipatórias, como são os mandados de busca e como são as prisões provisórias, quando elas são utilizadas contra cidadãos que não têm antecedentes criminais, que têm domicílio fixo e patrimônio reconhecido, que são cidadãos, até o momento em que se decreta a medida, apenas investigados”, afirmou. Após o evento na Defensoria Pública, onde até chegou a pedir desculpas pelo desabafo, Pimentel participou de um almoço acompanhado de vinho com representantes da indústria de fabricação do álcool e açúcar no Palácio da Liberdade. Arbitrariedade A assessoria de imprensa do governo do Estado foi procurada para se posicionar sobre as investigações. Questionada sobre os indícios de envolvimento de Pimentel com crimes como lavagem de dinheiro e caixa dois para campanha, a assessoria se limitou a encaminhar a mesma nota que já havia sido liberada na última quinta-feira. O texto se refere à segunda fase da operação como “a extensão da arbitrariedade cometida anteriormente”. A nota diz ainda que “com base somente em ilações e deduções fantasiosas, essa investigação prossegue eivada de irregularidades”. Por fim, ressalta que “todas as providências necessárias para assegurar o respeito ao direito individual, à legalidade e à autonomia federativa serão tomados para coibir o abuso e a arbitrariedade na condução do inquérito policial”. Em comunicado feito à imprensa, a defesa da primeira dama, Carolina Oliveira, confirma que a empresa Oli Comunicação, de propriedade dela, prestou serviços para a Pepper Interativa entre 2012 e 2014. “Entre esses serviços, nenhum foi prestado ao BNDES”, diz o comunicado. Estada de Bené em resort teria sido paga pela Petrobras O empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, investigado pela Operação Acrônimo da Polícia Federal, teria desfrutado de uma hospedagem em um resort de luxo na Bahia com os custos pagos pela Petrobras. A informação consta no relatório do Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde também está registrada a apuração de uma viagem do governador Fernando Pimentel e sua esposa, Carolina Oliveira, para o mesmo resort. Segundo informações do relatório, o empresário, conhecido como Bené, esteve no Kiaroa Resort com a namorada em junho de 2012. De acordo com dados da PF, o hotel teria alegado que as despesas da estada de Bené e sua companheira, no valor de R$ 15.718,50, foram custeadas pela Petrobras Distribuidora S/A. O relatório descreve que “as condições de tal pagamento ainda não foram esclarecidas na presente investigação”. Os investigadores chegaram a pedir um mandado de busca e apreensão para a sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, na tentativa de coletar documentos e informações que esclareçam o caso. Entretanto, o pedido foi negado pelo STJ. “Presente” Documentos apreendidos durante a Operação Acrônimo mostram que Fernando Pimentel e Carolina Oliveira estiveram no resort de luxo na Bahia em novembro de 2013. O valor das diárias, cerca de R$ 12 mil, foi pago por Pedro Augusto de Medeiros, que usualmente efetua transações bancárias para o empresário Bené. Além de ter, aparentemente, bancado as despesas com hospedagem, Benedito Oliveira também providenciou transporte para Carolina e Pimentel. O casal teria embarcado de Brasília no dia 15 de novembro e retornado à cidade no dia 17 do mesmo mês. Registros do hotel e mensagens comprovariam os fatos.