O Brasil parece ter encontrado um caminho para a interiorização dos médicos, sem a necessidade de importá-los da Espanha, como queria o governo espanhol. Como se sabe, não há escassez de profissionais num país com 180 escolas de medicina que formam 16 mil novos médicos por ano. O problema é sua má distribuição pelo território brasileiro. Segunda-feira (4), o secretário Nacional de Atenção à Saúde, Helvécio Miranda Magalhães Júnior, fez em Belo Horizonte avaliação positiva do Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab), do Ministério da Saúde.
O programa começou no ano passado e deu um salto neste ano. Ao todo, 4.392 médicos recém-formados vão trabalhar nos próximos 12 meses, em 1,4 mil municípios. Em Minas, serão 466 médicos recém-formados, que estarão atuando pelo Provab em 191 municípios, recebendo bolsa mensal de R$ 8 mil. Não é ruim, para médicos ainda em fase de treinamento.
Os médicos não se sentirão isolados, pois serão acompanhados por universidades parceiras do Provab que farão acompanhamentos e avaliações trimestrais de seu trabalho. A ideia do governo é que esses médicos continuem interessados em atender pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS), se possível naquelas cidades.
Porém, muitos se inscreveram apenas porque foram atraídos pela pontuação, de 10%, em concursos para programas de residências médicas, com vistas a se tornarem especialistas. Tais programas não existem naqueles municípios mineiros, cerca de uma centena, que não dispõem de médicos para o atendimento básico de saúde. Eles estão em regiões mais pobres, como o Norte de Minas e os Vales do Jequitinhonha e Mucuri.
Os médicos que se inscreveram gostariam, em geral, de trabalhar em periferias de cidades mais desenvolvidas, como Uberlândia e Betim, também atendidas pelo Provab. O Sindicato dos Médicos em Minas Gerais (Sinmed-MG), em entrevista à imprensa, fez críticas ao Provab. Ele teme que o recém-formado, mesmo não vocacionado a trabalhar no Programa de Saúde da Família, fique sem opção que não seja a de ingressar no Provab, se quiser progredir na carreira por meio de cursos de pós-graduação oferecidos pelas universidades públicas.
Mas, pela receptividade que teve aqui o secretário nacional de Atenção à Saúde, essa questão não terá a relevância desejada pelo Sinmed, que defende, em vez do Provab, concurso público para contratar médicos para o PSF, com “salário digno” e um bom plano de carreira.