(Leonardo Faria/Divulgação)
A insegurança ronda o planejamento do setor de eventos em BH. Diante das novas regras sanitárias da capital, empresários do ramo enviaram carta para a prefeitura solicitando recuo na dupla exigência de teste negativo contra Covid e de comprovante de vacinação. As novas regras constam no decreto publicado no Diário Oficial do Município (DOM) na sexta-feira (28).
Segundo a PBH, as medidas foram adotadas por causa da explosão dos casos de Covid-19 com a variante Ômicron na cidade e a expectativa do Carnaval. As novas exigências, no entanto, são vistas como um fator que inviabiliza a realização de eventos por entidades representativas do setor.
“A organização e a participação se tornarão muito mais caras se os testes forem exigidos. O que vai acontecer é que vários eventos vão sair da cidade se essa medida for mantida. As pessoas pensam em eventos como carnaval e festas, mas várias feiras e congressos, em que é bem razoável que os protocolos sanitários sejam seguidos, acabam sendo prejudicados”, aponta a vice-presidente do Sindicato das Empresas de Promoção, Organização e Montagem de Feiras, Congressos e Eventos de Minas Gerais (Sindprom-MG), Karla Delfim.
Karla é uma das signatárias do documento encaminhado ao prefeito Alexandre Kalil (PSD) na sexta-feira. A administração do município não se manifestou a respeito, mas o setor acredita que deve receber uma resposta já na segunda-feira (31).
Para a cerimonialista Mariella Carvalho, o clima de incerteza é o que mais afeta a organização de eventos na capital,
“Não sabemos se vai ter teste o suficiente, qual teste vai ser aceito… o efeito que a gente está tendo é de novamente ficar sem saber o que e como vai fazer, como informar para os clientes e pros fornecedores. Por enquanto a gente está sendo afetado dessa forma, com dúvidas e incertezas”, relata.
Para a diretora da Camarero Soluções em Eventos, Fabiana Brito, a exigência do teste negativo contra a Covid é um fator complicador. O cenário da pandemia na cidade fez com que o prazo para entrega do resultado e o preço da testagem aumentassem.
“Pedir o teste antes é um problema até se a gente tem um evento em que eu preciso de mais pessoas para trabalhar. Primeiro que, em BH, está tendo falta de teste; e, segundo, que virou um cartel, um monopólio dessas empresas. O teste que antes era R$ 50 agora está R$ 180. Eu, particularmente, acho que não tem cabimento pedir o teste antes para realizar um evento, principalmente de grande porte”, opina.
De acordo com Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos de Minas Gerais (Sincofarma-MG), na última semana, 70 % das drogarias e farmácias do Estado sofreram com falta de teste rápido. Também nesta semana, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) notificou 14 empresas suspeitas de aumento de preços de testes de Covid-19.