Cartaz levado pelo grupo dizia: ‘não há dignidade sem remuneração justa’
Mobilização estava prevista para essa segunda-feira (31) e esta terça-feira (1) (Maurício Vieira/Hoje em Dia)
Motociclistas que trabalham com entregas por aplicativo finalizaram, nesta terça-feira (1º), as 48 horas anunciadas de protestos por melhores condições de trabalho. Em Belo Horizonte, dezenas se reuniram na Praça da Estação, no hipercentro da capital, durante a tarde, de onde seguiram até a Praça da Savassi, na região Centro-Sul.
Entre as reivindicações consideradas “urgentes” dos trabalhadores estão o aumento da taxa mínima de entrega (de R$ 6,50 para R$ 10), reajuste da remuneração por quilômetro rodado (de R$ 1,50 para R$ 2,50) e a redução da rota máxima para entregadores de bicicleta (de 5 km para 3 km).
O protesto na capital mineira fez parte de uma paralisação que ocorre em outras cidades do Brasil, chamada de “Breque Nacional”. A mobilização estava prevista para essa segunda-feira (31) e esta terça-feira (1), paralisando os serviços dos principais aplicativos em operação no país, como iFood, Uber Flash e 99 Entrega. Segundo o motociclista Gustavo Túlio, que participou do movimento, a paralisação busca a valorização da classe e o respeito.
“O iFood falou que vai chamar nós para conversar, mas não deu um prazo e uma data exata. A 99 diretamente comigo não deu nenhum parecer, mas já tá acontecendo uma movimentação dos aplicativos”, contou.
Ainda de acordo com Gustavo, além das reivindicações urgentes, os motoboys lutam pelo fim das rotas duplas e para que eles sejam chamados para pegar o pedido somente quando estiverem prontos. Um cartaz levado pelo grupo dizia: “Não há dignidade sem remuneração justa”.
A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa aplicativos como a Uber e 99, afirmou que respeita o direito de manifestação dos trabalhadores e mantém canais de diálogo.
“Sobre a remuneração dos profissionais, de acordo com o último levantamento do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), a renda média de um entregador do setor cresceu 5% acima da inflação entre 2023 e 2024, chegando a R$ 31,33 por hora trabalhada”, disse a associação.
Além disso, as empresas associadas da Amobitec informaram que “apoiam a regulação do trabalho intermediado por plataformas digitais, visando a garantia de proteção social dos trabalhadores e segurança jurídica das atividades”.
O Ifood informou que está atento ao cenário e revelou que existem estudos para analisar a viabilidade de um reajuste para 2025. No entanto, a empresa ressaltou que, nos últimos três anos, os ganhos dos entregadores foram aumentados de várias maneiras.
A empresa destacou que em 2022 houve o aumento do valor mínimo da rota em 13%, de R$ 5,31 para R$ 6, e do valor por quilômetro rodado em 50%, de R$ 1 para R$ 1,50. Em 2023, foi realizado um reajuste da taxa mínima em 8,3%, de R$ 6 para R$ 6,50, acima da inflação do período (3,74% pelo INPC).
Por fim, em 2024, a empresa afirma que introduziu um adicional de R$ 3 por entrega extra em rotas agrupadas. Segundo o iFood, o ganho bruto por hora trabalhada é é quatro vezes maior do que o ganho do salário mínimo-hora nacional.
“De 2022 até 2024, os ganhos líquidos médios por hora trabalhada na plataforma foram 2,2 vezes superiores ao salário mínimo-hora, de acordo com os custos apontados em pesquisa realizada pelo Cebrap em 2023”, disse a empresa.
A empresa informou ainda que todos os entregadores parceiros do iFood têm acesso a seguro pessoal gratuito para casos de acidentes durante as entregas, planos de saúde, programas de educação, além de apoio jurídico e psicológico para casos de discriminação, assédio ou agressão sofridos pelos profissionais de delivery.
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