Estudo com participação de especialista da UFMG aponta risco baixo à saúde

Letícia Alves - Hoje em Dia
23/02/2016 às 07:17.
Atualizado em 16/11/2021 às 01:32
 (Frederico Haikal)

(Frederico Haikal)

A quantidade de arsênio espalhada por Paracatu, no Noroeste de Minas, por causa da extração do ouro, é pouca e apresenta baixo risco à saúde. A conclusão é de um estudo científico coordenado pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Recursos Minerais, Água e Biodiversidade (INCT-Acqua), em parceria com a mineradora Kinross Gold Corporation.

A empresa, que desde 1987 explora ouro na região, investiu R$ 3 milhões no estudo. Segundo uma das coordenadoras do trabalho, a professora Virginia Ciminelli, especialista em hidrometalurgia ambiental do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da UFMG, todo o processo foi embasado em parâmetros internacionais e em nenhum momento teve a interferência da Kinross.

De acordo com a pesquisa, feita entre 2009 e 2015, a quantidade de arsênio presente na poeira, água, alimentos e solo está abaixo dos valores máximos definidos como seguros pelo Ministério da Saúde, Organização Mundial de Saúde (OMS) e Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

Os pesquisadores identificaram que, na pior das hipóteses, um pessoa absorve 0,25 micrograma do metal por quilo de peso corpóreo. É considerada segura a absorção de até 3 microgramas por quilo.

Para chegar a esse valor, foram recolhidas amostras em Paracatu de 2011 a 2014. A maior concentração do metal foi encontrada nos alimentos.

Foram recolhidas 90 amostras em quatro restaurantes. Em todas foram identificados níveis menores que o valor máximo estabelecido.

A água foi coletada em 15 locais da rede de abastecimento da Copasa e de poços. Foram feitas 52 análises, que provaram que o nível do metal está abaixo do valor limite determinado como seguro pela legislação brasileira, que é de 10 miligramas por litro. Os pesquisadores encontraram níveis de 0,21 a 1,34 miligramas por litro.

Os mesmos parâmetros de segurança foram identificados nas amostras do solo e da poeira.

Contestação

A Associação dos Amigos de Paracatu (Ampara) encaminhou à Justiça, ao Ministério Público Estadual (MPE) e ao Ministério Público Federal, em dezembro do ano passado, um relatório que comprovaria a intoxicação crônica de dezenas de pessoas pelo arsênio liberado ao ambiente na cidade. O levantamento foi conduzido pelo geólogo Marcio Jose dos Santos. O MPE investiga a denúncia, mas o promotor responsável não foi encontrado nessa segunda (22) pela reportagem.

De 2012 a 2015, 93 pacientes de Paracatu foram encaminhados ao Hospital do Câncer de Barretos (SP), sendo 14 no ano passado. A instituição informou que não pode relacionar os casos a uma possível contaminação por arsênio.

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