O sorriso estampado no rosto do pequeno Miguel escancara a alegria de quem tem muito o que comemorar. Aos 9 anos, o garoto que nasceu prematuro e, ainda na incubadora, teve uma hemorragia que motivou a paralisia cerebral, é um dos inúmeros casos de sucesso do projeto Instrumentalizar para Incluir, da Associação Mineira de Reabilitação (AMR).
Antes de chegar à instituição, o menino mal abria as pernas, tamanho o comprometimento motor causado pela lesão. Hoje, além de praticar esportes como o tênis de mesa, ele sonha em ser designer de games. Para a mãe, Juliana Silva, a oportunidade de receber atendimento na AMR foi “coisa de Deus”.
A evolução de Miguel, assim como das centenas de crianças atendidas pela associação, está ligada à quantidade de terapias às quais ele foi submetido desde os 5 anos, quando chegou à instituição. Além da fisioterapia, o garoto frequenta atualmente sessões de terapia ocupacional, esporteterapia, fonoaudiologia, psicologia e muitas outras práticas.
A mesma superação está sendo vivida pelo garoto Vitor, melhor amigo de Miguel e também vítima da paralisia cerebral. O menino, que chegou a ter um comprometimento de quase 90% do sistema motor, é hoje um jogador assíduo de basquete.
Para a mãe, Ana Paula Alves, a convivência com outras crianças e profissionais de especialidades distintas transformou a vida de Vitor. “Todo esse período foi excelente. Não imagino o desenvolvimento dele sem esse lugar”, comemora.
Desafios
Apesar do sucesso, garantir atendimento às 487 crianças atendidas pela instituição não é tarefa fácil. Uma das razões é a dificuldade em conseguir verbas para bancar o trabalho filantrópico que não tem vínculo com o Sistema Único de Saúde (SUS).
Com a demanda crescente por atendimento e a necessidade de oferecer cada vez mais especialidades, a saída encontrada pela instituição é buscar formas de arrecadar recursos.
Superintendente da AMR, Márcia Castro Fernandes explica que há uma busca constante por parcerias e convênios que ajudem a levantar verba para a instituição. O sufoco financeiro, no entanto, ainda é um problema frequente.
“Buscamos sempre o equilíbrio financeiro. Não fazemos despesas desnecessárias e otimizamos todo custo. Então, temos uma preocupação grande porque não imaginamos nunca dispensar os pacientes por incapacidade de pagar os salários dos terapeutas. Isso seria a morte para nós”, avalia Márcia.Flávio Tavares / N/A
NOS PALCOS – Fã de Leonardo di Caprio, Juan Ferreira sonha em trabalhar como ator profissional
Demanda
Outro desafio enfrentado pela entidade é prestar assistência à todas as famílias admitidas pela instituição. Na maioria dos casos, são pessoas que vivem longe na instituição, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e que dependem exclusivamente do transporte público para chegarem ao local.
“Temos famílias aqui que passam fome. Por isso realizamos campanhas para arrecadar mantimentos para que o tratamento tenha efeito. Não adianta uma criança desnutrida fazer fisioterapia”, explica a superintendente.Flávio Tavares / N/A
PROJEÇÃO – Autor de livros de aventura, Judá quer ser um escritor renomado
Próximos da maioridade, jovens sonham com profissões
A hora de partir e seguir o próprio caminho também chega para os jovens atendidos pela AMR. Aos 18 anos, eles são automaticamente dispensados para que a oportunidade seja oferecida a crianças com algum comprometimento neurológico e que ainda vão começar a caminhada de superação.
Quem está prestes a sair do ninho lamenta o desligamento. Ao mesmo tempo, porém, comemora todos os benefícios conquistados. É o caso de Judá Luciano, um jovem de 16 anos que chegou à associação com apenas seis meses de vida. Na primeira infância, ele foi diagnosticado com paralisia cerebral e quadriplegia espástica, um quadro de grande comprometimento da coordenação motora.
Hoje, o jovem é autor de livros de aventura e sonha em ser um escritor renomado. “Isso começou porque eu criava histórias para brincar com meus bonecos. Ao longo do tempo comecei a escrever essas ideias, que viraram uma série e depois livros. Eu escrevo quando estou no ônibus, às vezes no celular e também no caderno. E não consigo escrever pouco. São sempre histórias compridas”, explica.Flávio Tavares / N/A
CUIDADO COM O PRÓXIMO – Assim que deixar a AMR, Lara vai começar o ensino médio e quer fazer medicina
Lara Moura, de 15 anos, também vislumbra um belo futuro depois que deixar a AMR. Ela espera poder ajudar pessoas assim como tem sido ajudada por inúmeros profissionais de saúde. “Ano que vem inicio o ensino médio. Quando me formar, quero cursar medicina”.
Já o jovem Juan Ferreira, fã declarado de Leonardo di Caprio, quer se dedicar ao teatro e se transformar em um grande ator logo que deixa a instituição. “Eu adoro ver filmes de ação. Amo o cinema. Quero aprender a contracenar e me tornar um profissional”, sonha.