Mais um tombamento foi registrado em Belo Horizonte. Desta vez foi os documentos da Comissão Construtora da Nova Capital (CCNC), datados de 1893 a 1897. Ao todo, serão preservados cerca de 4 mil documentos, entre material textual, cartográfico e iconográfico (fotos e pinturas) que estão atualmente sob a guarda do Arquivo Público da Cidade, do Arquivo Público Mineiro e do Museu Histórico Abílio Barreto. Para Leônidas Oliveira, presidente da Fundação Municipal de Cultura e do Conselho de Patrimônio, a política de preservação e salvaguarda do patrimônio cultural de Belo Horizonte tem atuado na proteção de temas importantes para a cidade. “Recentemente realizamos o tombamento do Teatro de Belo Horizonte e já indicamos para proteção, a dança e o circo. Além disso, está sendo preparada uma grande ação de tombamento do bairro de Santa Tereza, prevista para janeiro de 2015”, comentou. Segundo Leônidas, a meta para os próximos anos é que, a cada mês, sejam realizados tombamentos que garantam a preservação da memória coletiva da cidade, sobretudo protegendo as ambiências urbanas para além das proteções isoladas, bem como seus símbolos por meio do registro imaterial. “A perspectiva é que no próximo ano sejam protegidos, portanto, os quilombos urbanos da cidade de Belo Horizonte”, afirmou. O acervo da CCNC foi gerado a partir das atividades técnicas, das rotinas administrativas e das relações de poder e saber tecidas entre os seus principais protagonistas, como políticos, médicos, sanitaristas, comerciantes, artistas, funcionários públicos e antigos moradores do Curral Del Rei. Trata-se de um rico material que guarda não só a história da cidade que se construiu, mas também, das características naturais, geográficas e humanas do território sobre a qual tal nova cidade foi construída. Para Yuri Mello Mesquita, diretor do Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte, os documentos representam um testemunho precioso do processo de concepção, planejamento e construção de uma cidade capital. “O conjunto documental da CCNC apresenta interesse para a história da ciência e da técnica, para a história da arquitetura e paisagismo e, finalmente, para a história da própria república brasileira, sobretudo do seu projeto simbólico e civilizacional, apoiado no pensamento positivista”, afirma. Um bom exemplo da riqueza documental produzida pela CCNC pode ser visto por meio do vasto material por ela produzido para se elaborar a Planta Topográfica e Cadastral da área destinada à construção a cidade. Para elaborar a planta cadastral, nove turmas de engenheiros e técnicos percorreram o Arraial Curral Del Rei, coordenadas pelo engenheiro civil Américo de Macedo, levantando as características físicas dos terrenos e edifícios e registrando os dados em cadernetas de campo. (*Com PBH)