Apesar da previsão de menor intensidade das manifestações durante a Copa do Mundo, os ânimos dos protestos dependerá do desempenho da Seleção brasileira na competição internacional. É o que avaliou, nessa quarta-feira (11), o sociólogo e cientista político Rudá Ricci, em entrevista ao programa Central 98, da rádio 98 FM, em que foram abordados os atos de protesto e sua repercussão política. As manifestações deste ano terão o mesmo tom e intensidade dos atos na Copa das Confederações? Teremos manifestações todos os dias de jogos na Copa, mas com menos gente na rua. Porém, se o Brasil sair precocemente do evento, pode gerar uma humilhação e os protestos podem ter mais adesão. Os participantes das manifestações serão mais compostos por populares ou por movimentos sindicais? A impressão é que serão mais organizados do que no ano passado. Haverá a presença dos comitês populares da Copa e dos que lutam por passe-livre. Teremos, talvez, alguma coisa sindical, mas acho difícil, pois não creio que as greves continuem. Também participarão os movimentos que lutam por questões urbanas, principalmente na área de habitação. Vemos uma adesão menor para os protestos neste ano. A que você atribui isso? Destacaria duas questões. A primeira é a própria Copa do Mundo e pela paixão do brasileiro pelo futebol. A segunda é o problema da violência. O que o brasileiro ganhou com os protestos do ano passado? Uma pesquisa recente mostrou que caiu o preço das passagens de ônibus e aumentaram as linhas em sete estados. Nada mais. Fizeram promessas diversas, na área de saúde, mas não cumpriram nada. Há legados, como o turismo, mas também o brasileiro aprendeu a ir à rua.