(FOTO: MAURICIO VIEIRA / JORNAL HOJE EM DIA)
A um mês de fechar o exercício de 2022, as universidades federais sofreram um novo bloqueio orçamentário, que pode comprometer seu funcionamento até o fim do ano e impactar fortemente o orçamento de 2023.
De acordo com entidades ligadas ao setor, o total bloqueado do Ministério da Educação (MEC) chega a R$ 1,68 bilhão, dos quais R$ 244 milhões seriam referentes às contas das universidades. O anúncio foi feito nessa segunda-feira (28).
Na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), de acordo com a reitora Sandra Regina Goulart Almeida, “o impacto deve variar de R$ 7,6 milhões a R$ 10 milhões, caso a medida não seja revertida.”
“Fomos surpreendidos com esse novo bloqueio, efetivado no exato momento em que a seleção brasileira de futebol jogava contra a Suíça. Não há clareza em relação a valores, mas já estamos nos movimentando para reverter esse cenário”, declarou.
Segundo a reitora, “as universidades têm até 9 de dezembro para reverter os bloqueios, data-limite para o empenho de despesas. Se não conseguirmos, será impossível fechar as contas do exercício”, reforçou.
Esse é o terceiro bloqueio sofrido pelas universidades em 2022. No início de outubro, a UFMG se viu ameaçada de perder 5,8% de seu orçamento, cerca de R$ 12 milhões.
“Só conseguimos reaver esse valor por causa da intensa mobilização social e institucional de nossas comunidades em favor das universidades e institutos federais”, sublinhou a reitora.
Em maio, no entanto, o bloqueio imposto – o primeiro do ano – foi apenas parcialmente revertido, e a UFMG acabou sofrendo um corte definitivo de R$ 16 milhões em seu orçamento.
A reitora pontua que o novo bloqueio ocorre no momento em que se celebra o início dos testes clínicos da SpiN-TEC MCTI UFMG, vacina contra a covid desenvolvida pelo CTVacinas da UFMG, a única com 100% de tecnologia brasileira.
"As universidades públicas formam pessoas, produzem mais de 90% da pesquisa no país e desenvolvem um trabalho inestimável junto à população. Esses cortes inaceitáveis impactam não apenas a instituição, mas principalmente nossa capacidade de atender às demandas da sociedade e do poder público", reitera Sandra Goulart.
A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições de Ensino Superior (Andifes) também protestou contra a medida. Em nota divulgada na segunda, a entidade destacou que a nova retirada de recursos praticamente inviabiliza as finanças de todas as instituições.
“É um enorme prejuízo à nação que as universidades, institutos federais e a educação, essenciais para o futuro do nosso país, mais uma vez, sejam tratados como a última prioridade”, diz o comunicado.
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