Universitário preso em Montes Claros por fraudar Enem receberia R$ 2 mil

Hoje em Dia
26/11/2014 às 12:15.
Atualizado em 18/11/2021 às 05:10

Preso mais um suspeito de fraudar a última edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste ano de 2014. O estudante de direito Vanil Vasconcelos Costa Júnior, de 21 anos, confessou que receberia R$ 2 mil para burlar o teste. O jovem foi detido em Montes Claros, região Norte de Minas, na terça-feira (25), na sede do Ministério Público Federal (MPF), onde fazia estágio.

Conforme o delegado Rogério Evangelista, Vanil integrava a parte intelectual da quadrilha presa durante Operação Hemostase II, deflagrada pela Polícia Civil na última segunda-feira (24). "Ele respondia principalmente questões de geografia e história", contou o investigador.

"A última participação de Vanil foi em Pontes de Lacerda, no Mato Grosso do Sul. Ele respondeu as questões do Enem e depois repassou para outros integrantes da quadrilha, que transmitiram para os candidatos que fraudavam o exame", prosseguiu Rogério.

Ao ser preso, ele admitiu, também, que tinha participado de fraudes em Fortaleza e Belo Horizonte. Nesses casos, o golpe foi aplicado em instituições que oferecem curso de medicina. "Vanil falou, ainda, que o dinheiro que receberia pelo último golpe não chegou a ser depositado", disse o delegado.

O universitário está recluso no Presídio de Alvorada, em Montes Claros, à disposição da Justiça.

Operação Hemostase II

No último domingo (22), candidatos que tentavam fraudar o vestibular de medicina na Faculdade Ciências Médicas foram presos logo após terminarem o processo seletivo da instituição, realizado em Belo Horizonte. Eles são suspeitos de pagar de R$ 70 mil a R$ 200 mil a uma quadrilha especializada em venda de vagas, inclusive no Enem. Onze integrantes do grupo – dentre eles um policial civil lotado em Governador Valadares e dois médicos residentes – também foram detidos.

Durante as investigações, em andamento há oito meses, a Polícia Civil conseguiu ter acesso a vários documentos que comprovam a tentativa de fraude, como escutas telefônicas e transações bancárias. Os suspeitos de liderarem a quadrilha foram identificados como Áureo Moura Ferreira, de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, e Carlos Roberto Leite Lobo, empresário em Guarujá (SP).

Esquema

O grupo utilizava um moderno sistema de transmissão de dados, importado da China, além de micropontos eletrônicos que eram colocados na orelha dos candidatos. Superintendente de Investigação e Polícia Judiciária, o delegado Jeferson Botelho informou que duas pessoas foram contratadas para fazer a prova rapidamente. Com o gabarito em mãos, as respostas eram repassadas aos candidatos.

Apesar da tentativa de fraude, o processo seletivo da faculdade Ciências Médicas não sofreu nenhum prejuízo, segundo Marcelo Miranda, e não será cancelado. O resultado das provas deve ser divulgado em 17 de dezembro, conforme previsto.

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