Mulher estuprada pela polícia é acusada de atentado ao pudor na Tunísia

AFP
26/09/2012 às 15:43.
Atualizado em 22/11/2021 às 01:36

  TUNIS - A convocação a um tribunal de uma mulher acusada de atentado ao pudor após ter sido estuprada por policiais na Tunísia desencadeou nesta quarta-feira (26) a ira da sociedade civil, que critica os islamitas no poder pelo descaso quanto à condição feminina.   A mulher deverá ser confrontada com os policiais estupradores que a acusam de "atentado ao pudor", delito passível de seis meses de prisão. Várias ONGs denunciaram o caso. A audiência foi adiada para o dia 2 de outubro, segundo as ONGs, que lançaram um apelo para manifestar neste dia em frente ao Tribunal de Túnis.   Segundo o ministério do Interior, a jovem e seu namorado foram vistos por três policiais no dia 3 setembro em uma "posição imoral". Dois policiais estupraram a vítima, enquanto o terceiro segurava o namorado. Os três policiais foram presos.   As ONGs ressaltam que este procedimento "transforma a vítima em acusada e tem o objetivo de aterrorizar e obrigar, a ela e ao namorado, a renunciar a seus direitos", já que o mesmo juiz analisa o estupro e o atentado ao pudor.   Desde a chegada ao poder dos islamitas do partido Ennahda após a revolução, várias ONGs tunisianas denunciam o comportamento da polícia em relação as mulheres, que são regularmente punidas por suas roupas ou por saírem à noite sem a companhia de um homem de sua família.   As mulheres tunisianas beneficiam de um dos estatutos mais modernos do mundo árabe desde a promulgação do Código de Estatuto Pessoal (CSP), em 1956, que instaurou a igualdade de gênero em várias áreas, mas elas continuam sendo discriminadas em outras, como nas heranças.   Os islamitas do Ennahda iniciaram um movimento em agosto propondo inscrever na nova Constituição a "complementaridade" dos sexos e não a igualdade. Este projeto foi abandonado na segunda-feira.

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