Gestor de Futebol pela CBF Academy e pela Universidade do Futebol, pós-graduado em Direito Desportivo e Negócios no Esporte.

O grande desafio de Paulo Pezzolano no Cruzeiro

07/02/2023 às 15:00.
Atualizado em 07/02/2023 às 15:01

O Cruzeiro disputará uma das épocas mais difíceis da sua história. Com o orçamento ainda enxuto, o clube vem de três anos seguidos na série B e começa, aos poucos, a colocar a cabeça para fora do poço. Entretanto, para sair por completo do fundo deste poço e voltar a ser um grande vencedor, o clube precisará de resiliência e, principalmente, consciência da sua realidade. Nesta toada, Paulo Pezzolano será fundamental e é imprescindível a construção de uma equipe muito forte mentalmente.

A consequência de um orçamento enxuto é, por óbvio, a impossibilidade de contratar os melhores jogadores. Assim, por mais que o futebol seja um esporte imprevisível e que o pior mais tem chance de ganhar do melhor, como já falamos várias vezes nesta coluna, no longo prazo, em geral, isto não acontece. As estatísticas apontam, também, no sentido do orçamento refletir na posição do clube na tabela (existem exceções, mas não formam a regra). Conclusão: bem provavelmente o Cruzeiro irá perder mais vezes do que ganhar este ano.

Mas, calma lá! Nem tudo está perdido. É natural isto, pois, afinal de contas, o objetivo do clube celeste para a temporada é se manter na primeira divisão (expressado publicamente por seus dirigentes). Na esteira do objetivo, o Cruzeiro deverá ser muito forte mentalmente, entendendo que, ao mesmo tempo que deve confiar na vitória, deve também reconhecer suas limitações. Este equilíbrio não é fácil de alcançar.

Avançando no tema, com os resultados não vindo com frequência, mesmo apresentando um bom futebol, é comum os jogadores e até o staff técnico começarem a questionar e a desacreditar no trabalho. Assim, a confiança em subir a marcação em determinados momentos, fazer um controle de profundidade ou sair jogando desde a zona de iniciação, podem começar a falhar com mais frequência.

Já é natural, de jogo em jogo, haver avanços e retrocessos na modelagem tática da equipe. Porém, se a equipe estiver mentalmente fraca, será muito mais difícil liderar este processo. É complexo um jogador entender que jogou bem e, ao mesmo tempo, absorver a derrota com naturalidade. Se isto não for bem trabalhado, a cada tropeço, todos vão pensar: “jogamos como nunca e perdemos como sempre”.

Portanto, para além de um padrão de jogo (que o clube já apresenta bem neste início de temporada, mesmo que com grande reformulação do elenco), os jogadores precisarão de equilíbrio emocional e confiança no processo. É preciso acreditar (e saber) a todo instante que são capazes e, nem por um minuto, desistir. Para isto, o apoio da torcida celeste será crucial, auxiliando na auto-estima e na motivação extrínseca dos jogadores.

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