Bruno Castelli Chuery*
Uma reflexão que sempre me faço é de qual o papel do líder em um mundo de mudanças cada vez mais aceleradas.
Como equilibrar o dinamismo e inquietude necessários para me adaptar e antecipar às mudanças ao mesmo tempo que devo transmitir previsibilidade em meus comportamentos para gerar segurança e confiança na equipe?
Essa reflexão me fez remeter a um princípio psicológico conhecido como Efeito da Mera Exposição - a ideia de que, no primeiro contato, novidades podem gerar resistência ou indiferença, mas com o tempo e a familiarização, elas se tornam mais aceitáveis e até desejáveis. No entanto, um excesso de repetição e exposição pode levar ao tédio ou à saturação.
Primeiro ponto que logo de cara emergiu foi sobre o líder ser consistente nos valores, porém flexível na execução.
Uma liderança previsível não significa ser repetitiva em tudo, mas sim ter princípios e valores claros e consistentes, com critérios de tomada de decisão coerentes com eles. Isso dá segurança à equipe.
No entanto, a forma de comunicar, tomar decisões e inovar pode variar para manter o engajamento. Assim, a previsibilidade vem do “porquê” e do “para quê”, enquanto o “como” pode ser ajustado conforme necessário.
Segundo ponto tem a ver com transparência e humildade.
Quando um líder propõe mudanças, é natural que as pessoas tenham resistência inicial (como no efeito de exposição).
Se for um ajuste de rota oriundo de uma decisão mal tomada anteriormente, ter a humildade de assumir seus erros, não terceirizar responsabilidades e valorizar a importância de ter todos comprometidos para mudança do jogo.
As pessoas precisam sentir verdade na comunicação e que, de alguma maneira, foram consideradas na decisão para que possam comprar a ideia e seguirem em frente.
Muitas vezes a falha é mudar rápido demais, sem comunicação adequada e clareza dos porquês, gerando imediata rejeição e o efeito sabotador da equipe (já vivi isso inúmeras vezes).
Terceiro ponto que ajuda muito é periodicamente incrementar novidades e “surpresas” na rotina de gestão da equipe.
Isso mantém a equipe motivada e evita que as interações fiquem previsíveis a ponto de perderem a eficácia.
Por fim, a última reflexão tem a ver com a nossa busca permanente por evolução, ampliação de repertório e aprimoramento.
A repetição mecânica de mensagens pode torná-las vazias. Mas quando um líder reforça mensagens-chave de maneiras diferentes, com novas histórias, exemplos ou abordagens, ele mantém a equipe engajada sem parecer redundante.
Isso evita que as pessoas “se cansem” da liderança, pois ela evolui e se adapta ao contexto. Portanto, buscar novos aprendizados e ampliar o repertório continuamente proporciona o líder estar em permanente evolução, evitando a saturação. Acredito que isso se aplica em tudo na vida, inclusive nos relacionamentos conjugais (mas isso é para outra conversa =)).
Em resumo, um líder deve ser confiável e previsível nos valores e na forma como trata e se relaciona com as pessoas, mas inovador na maneira como conduz a equipe, introduzindo mudanças sempre que necessário, se antecipando aos movimentos externos e mantendo o ambiente estimulante.
Definitivamente não é uma tarefa fácil, mas tenho uma forte impressão que esse equilíbrio é uma das principais chaves para o sucesso de um líder.
Bora fazer acontecer!
*Sócio Regional na Vitta Residencial e Bild Desenvolvimento Imobiliário