Doutor em Direito pela UFMG e Analista Político

Jarbas Soares, ex-Procurador Geral de Justiça. Do MP a candidato em 2026?

Publicado em 04/04/2025 às 06:00.

 Para os mais distraídos, as conversas e busca de consensos e alinhamentos já iniciaram nos bastidores dos partidos, das casas legislativas e internamente nas entidades da sociedade civil. Teremos em 2026 eleições para Presidência da República, governos de Estado, duas vagas para o Senado, deputados federais e deputados estaduais.

Em mais uma etapa deveras importante da democracia do país, daremos uma procuração para mandatários atuarem em nosso nome. Para os cargos majoritários em Minas, alguns nomes já são citados em destaque nos bastidores. Um deles é o de Jarbas Soares, procurador-geral de Justiça em 4 biênios: 2005-2006, com recondução de 2007-2008 e retornando em 2020-2022 com nova recondução de 2022-2024. É importante salientar o bom trânsito que tem com muitos prefeitos mineiros e que vem sendo instado a se candidatar por lideranças e partidos de diferentes matizes ideológicas.

 A seguir breve entrevista com Jarbas Soares: 

- Quais os principais legados do seu mandato como PGJ? 

Nossa gestão teve sucesso na tentativa de reerguer o nosso Ministério Público. Nós tivemos antes uma perda muito grande de prestígio institucional com má gestão e pagamos um preço alto. Chegamos ano passado à liderança do Ministério Público brasileiro e do CNPG. Recuperamos o prestígio perdido em Brasília e aqui. Investimos em projetos inovadores, como a unidade de combate ao crime e à corrupção, no atendimento às vítimas e na autocomposição de conflitos, entre outros. Fomos o MP mais premiado do Brasil. Deixamos orçamento do MP compatível com as necessidades institucionais, temos uma política remuneratória digna diante dos nossos encargos. Estamos em meio ao regime de recuperação fiscal, mas negociamos as ressalvas necessárias para a Instituição continuar avançando. Na atividade-fim tivemos um boom.

- Qual sua análise dos principais desafios e problemas de Minas Gerais que afetam o dia a dia da população? 

Como membro do Ministério Público, se posso reduzir à minha percepção ao campo que atuo, parece louvável que a minha Instituição continue buscando soluções para o problemas que atravancam o desenvolvimento do estado, sempre com ideias criativas. É muito ruim quando o MP perde mais tempo com o problema do que a solução desse problema. Temos que buscar celeridade nas respostas do poder público. O que tenho visto é que o processo ficou mais importante do que o fim, ou como disse o Governador Zema na sua linguagem, “o carrapato ficou maior do que a vaca “. Começando por aí, já daremos um passo importante para o desenvolvimento. O resto da resposta cabe ao governo do estado.

Não cabe a mim opinar. Quanto ao MP, eu posso falar.

- Sobre as eleições 2026, seu nome vem sendo citado nos bastidores da política. Há alguma pretensão de sua parte de candidatura? E como se posiciona no espectro ideológico, se à esquerda, ao centro ou à direita?

Sobre esse assunto, como disse o Governador Benedito Valadares, “estou rouco de tanto ouvir “. Sou um membro do Ministério Público, e, portanto, não me sinto inteiramente à vontade para falar sobre isto. Mas tenho recebido muitos convites para participar da eleição estadual de 2026, como recebi em 2016 (Prefeito de BH) e 2018 (Governador), mas tenho ouvido apenas. Quanto ao espectro político como cidadão e eleitor, não sou um eleitor nem de direita e nem de esquerda. Há pessoas que assim se consideram, tudo bem, mas ninguém é obrigado a seguir esses rótulos, que interessam mais a alguns que se alimentam dessa divisão.

 Também não sou de centro, o que pode parecer alguém sem posição, mas não. Se pudesse me rotular, diria que sou um democrata, que vê virtudes e equívocos em todos os partidos de correntes mais ideológicas, mas que não vê outro caminho que não seja a democracia, até porque, como membro do MP, o meu partido é o PCF, o Partido da Constituição Federal, que é plural. Nós do MP não temos preconceitos, conversamos com todos. Só não toleramos o crime, a corrupção e as ditaduras, seja do Executivo, do Legislativo ou do Judiciário.

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