Manoel HyginoO autor é membro da Academia Mineira de Letras e escreve para o Hoje em Dia

Chumbo trocado

05/07/2021 às 19:05.
Atualizado em 05/12/2021 às 05:20

Os brasileiros destes nossos tempos estão atentos aos veículos de comunicação, não só para conhecer os resultados dos esportes ou do que se divulga sobre a pandemia, os locais e horários de vacinação. Pesam dúvidas cruéis sobre tudo que se faz ou se propala, tal o índice de desconfiança reinante na terra descoberta por Cabral, não o ex-governador carioca.

Quando apareceu o problema da pandemia, prevaleceu uma indagação ou várias. Vai durar muito? Quantas vidas estarão em perigo? Quem e como surgirão propostas para curar ou evitar o mal terrível que viera de uma cidade chinesa e perambulava por nações da Europa? Ninguém queria preconizar ou profetizar.

Para o presidente do maior país da América Latina, que já sofrera muito com outras epidemias e pandemias, era problema de menos importância. Uma enfermidade de curta duração, que resultaria um reduzido número de doentes. Não se deu a devida e necessária atenção ao problema, em primeiro lugar porque o mandatário era e é forte, superara até facada na região torácica. 

Não foi, todavia, como se pensará. A doencinha se alastrou, atingiu milhões de brasileiros, e chegou até agora a mais de 200 mil vítimas fatais (expressão usual nas editorias de polícia), exigiu muitos milhões de reais dos cofres públicos, aumentou a pobreza nacional, destruiu empregos e oportunidades de trabalho para o número elevado de pessoas, e muito mais em sequelas não restritas à saúde pública. 

Mas, como somos o país dos jeitinhos, não poucos procuraram tirar proveito da situação. Identificaram na pandemia um meio de ganhar dinheiro. Aí, o imbróglio sob todos os aspectos pérfido, de faturar. E não poucos terão sido felizes no projeto maligno, que completa 18 meses, um ano e meio, portanto. Assim, em meio à dor e às lágrimas dos que perderam gente da família, percebeu-se que, se houvera omissão e inércia de setores do poder público, havia aqueles que auferiram rendimentos da desgraça alheia. 

Determinada pelo STF a abertura de inquérito contra Bolsonaro por suposta prevaricação sobre denúncia de propina em compra de vacina, a Polícia Federal decidiu indiciar Renan Calheiros, presidente da CPI do Senado, por ter, também supostamente, recebido R$ 1 milhão em propina da Odebrecht em 2012. O respectivo processo está parado desde 2017. Agora, com a investigação da prevaricação, o caso volta à cena. Enfim, é como se diz em Minas Gerais: chumbo trocado não dói. Vamos ver. 

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