A matriarca dos Andradas

04/05/2020 às 18:47.
Atualizado em 27/10/2021 às 03:25

Aristóteles Drummond*

A família Andrada comemorou este mês o centenário de sua matriarca, Marina Lafaiete de Andrada Ibrahim, que alegra a família em meio a essa pandemia toda.

Marina é irmã do saudoso deputado Zezinho Bonifácio, que tinha por ela estima toda especial, e do ministro do Supremo Antônio Carlos Lafaiete de Andrada. Foi casada com o médico Mário Ibrahim, de tradicional família de Mariana, que exerceu inúmeras funções de relevo na medicina pública, em Minas. Tia do patriarca Bonifácio Andrada, que comanda filhos e netos presentes na vida pública brasileira.

Marina é memorialista no patamar de Pedro Nava, de Juiz de Fora, vizinha de sua Barbacena. Seus livros, em número de sete, falam muito da família e, em especial, de seus pais e do que existia de melhor, no Brasil, da política, literatura e sociedade. Foi entrevistada por Jô Soares, em programa que teve repercussão quando do lançamento de um de seus livros.

O pai, José Bonifácio, deputado e embaixador, marcou presença no Rio, onde morou muitos anos no exercício do mandato parlamentar, tendo sido relevante sua presença na Aliança Liberal, criada pelo seu irmão Antônio Carlos, que levou Getúlio Vargas ao poder. Chegou a exercer o jornalismo, mas sob pseudônimo. Como diplomata, representou o Brasil no Peru, Portugal, Argentina e Vaticano, todos entre os mais importantes da carreira. Como jurista, também foi reconhecido, tendo representado o Brasil em entidade internacional por dois anos, em Paris.

A mãe, Corina, filha do conselheiro Lafaiete Rodrigues Pereira, grande figura do Império, que deu nome à progressista cidade às margens da BR 040, onde nasceu quando ela ainda se chamava Queluz de Minas.

Marina Andrada, chamada por todos os Andradas e afins de “tia Marina”, manteve, até bem pouco, o hábito de frequentar Barbacena, onde costumava fazer o primeiro lançamento de seus livros. Foi cidadã do mundo, pois, acompanhando os pais, morou mais de 20 anos fora do Brasil e mais uns 12 no Rio de Janeiro. Mas sempre ligada em Barbacena e Belo Horizonte, onde vive e mereceu, na data de aniversário, belo registro de Idinando Borges, guardião da história de Barbacena.

Esta é a Minas que resiste, sobrevive, alimenta o sentido da família tradicional, cultora de valores herdados por gerações. Esta Minas que tem sua prosperidade e presença cultural num convívio harmônico desta aristocracia com raízes no Império, com os que aportaram mais tarde, muitos vindos de fora, como o próprio sogro de Marina.

*Escritor e Jornalista

  

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