Um estudo recente feito pelos cientistas do King’s College de Londres e publicado pela revista Veja concluiu que a reclusão em função da pandemia, e que já ocorre há mais de três meses, pode resultar em estresse pós-traumático, sentimento de raiva e confusão mental sendo que crianças e adolescentes parecem estar em maior vulnerabilidade.
Os fatores que mais motivam esses sintomas são: incerteza do futuro, medo da doença, perda financeira, tédio, frustração e informações imprecisas.
As alterações emocionais derivadas desses estresses podem desencadear quadros compulsivos.
A compulsão é um comportamento repetitivo e automático no qual o indivíduo sente grande dificuldade em frear o impulso. Essa dificuldade tem a ver com o prazer imediato que é gerado, ou seja, uma gratificação instantânea que se reforça cada vez que o comportamento se repete.
Exemplos podem variar desde as “manias” de arrancar cabelo, cutucar a pele, roer unha até distúrbios alimentares e jogatinas.
Nesse período evidencia-se o vício em tecnologia. A compulsão cibernética pode ser observada pela dificuldade em se afastar dos dispositivos tecnológicos. Neste contexto, os celulares ganham grande destaque. Indivíduos compulsivos verificam e manipulam o aparelho exageradamente, sem conseguir se desligar dele. A dependência cibernética pode atingir níveis tão avançados a ponto de o indivíduo sacrificar horas de sono, comprometer relações familiares, afetivas e sociais e ainda assim não conseguir controlar o uso. A internet causa dependência tanto quanto a droga e, nesse período atual, isso foi severamente agravado. O celular tem sido a principal companhia, sedimentando ainda mais o vício que já se apontava crescente.
Outro comportamento compulsivo que tem se apresentado recorrente são as compras on-line. Nesse caso, o prazer em consumir é maior que a necessidade da mercadoria. O consumo é emocional e não racional. É importante estabelecer a diferença entre o comprador impulsivo e compulsivo. O primeiro age por impulso, mas, ao tomar consciência do ato, consegue controlar seu comportamento. Já o outro sente que é praticamente impossível frear o desejo de comprar, mesmo sabendo que não pode, não deve, não precisa ou que está endividado. A compulsão fala mais alto, levando o indivíduo a prejuízos incalculáveis. Geralmente após a compra há um grande sentimento de culpa que deriva do arrependimento, seguido da promessa de não efetuar, de maneira alguma, outros gastos dessa natureza. Mas a promessa costuma não durar muito. Passada a “ressaca emocional”, vem novamente a vontade de consumir e a dificuldade em frear, fechando um ciclo vicioso.
E, por fim, temos a compulsão alimentar, agravada pelo tempo que se passa dentro de casa. O comedor compulsivo apresenta algumas características: come excessivamente mesmo sem estar com fome; “belisca” o tempo todo, não para de comer mesmo quando já não está aguentando e consome grande quantidade de comida num curto espaço de tempo. Durante o episódio compulsivo há uma nítida perda de controle seguida por uma enorme angústia.
Em tempos como esses, uma ajuda profissional pode ser bem-vinda, para não agravar ainda mais a crise já existente.