“Sem partido! Sem partido!” Os gritos dos manifestantes pelas ruas do país não mostram apenas um movimento apartidário em busca de melhorias, mas a descrença nos detentores da representação política. De dezembro de 2012 até maio de 2013, mais de meio milhão de pessoas desfiliaram-se de legendas partidárias.
A queda no número de filiados um ano antes das eleições presidenciais é um fenômeno novo. No último pleito, os partidos tiveram crescimento acima de 15% no número de filiados. Em 2012, ano de eleições municipais, o Brasil possuía 15,12 milhões de pessoas filiadas em 30 partidos. A liderança era do PMDB, com 15,5% dos filiados, seguido pelo PT (10,2%), PP (9,3%) e PSDB (8,9%).
Em maio deste ano, último dado disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o número de filiados caiu para 14,54 milhões. A ordem dos partidos que possuem o maior número de filiados continuou a mesma.
Na última eleição presidencial, os partidos ganharam muitos militantes. Em 2010, o país possuía 13,88 milhões de filiados contra 11,97 milhões de 2009 - um crescimento de 15,95%. O PSB, por exemplo, experimentou aumento de 19%.
O fenômeno da redução de filiados também ocorre em Minas Gerais. Até maio, o Estado possuía 1,57 milhão de pessoas ligadas a partidos, contra 1,60 milhão de 2012.
Os dois maiores partidos em número de militantes em Minas reproduzem a proporção nacional, com PMDB na liderança, seguido do PT. O PSDB ocupa o terceiro lugar e o DEM a quarta posição. O PP, terceira maior sigla do país em números de filiados, no Estado fica apenas em quinto lugar.
Sintoma
Para o especialista em Filosofia Política da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Ricardo Monteagudo, as manifestações marcadas pelo apartidarismo apontam para um esgotamento da política tradicional.
“Há um certo esgotamento da representação política tradicional. É um sintoma. Essas pessoas pensam que os políticos ou a estrutura do governo como ela está estabelecida hoje, já não representa mais os anseios e necessidades dos eleitores. As pessoas não se sentem mais representados pela política eleitoral, como se buscassem alguma alternativa que não pudessem apenas manifestar, mas pudessem defender seus direitos”, avalia o professor.
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