Quase 27 mil famílias abrem mão de receber Bolsa Família em Minas

Patrícia Scofield - Hoje em Dia
14/07/2013 às 08:17.
Atualizado em 20/11/2021 às 20:02

Durante o ano de 2012, 26.915 famílias em Minas Gerais abriram mão do benefício do Programa Bolsa Família, sendo 3.202 famílias em Belo Horizonte, segundo o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).
 
Neste ano, dados do governo federal atualizados em fevereiro apontam que 8.463 famílias deixaram o programa em Minas. Dessas, 2.253 são da capital. As informações foram obtidas pelo Hoje em Dia em pedido feito via Lei de Acesso à Informação. Atualmente, o programa está presente em 13,8 milhões de famílias, de acordo com o MDS, para “aliviar a pobreza imediata”.
 
Dentre as pessoas que deixaram o Bolsa-Família está a auxiliar de serviços gerais Adineia Aparecida Porto da Silva, moradora do Bairro Nova Esperança, na Região Noroeste de Belo Horizonte. Ela sustenta sozinha a casa onde mora com a filha de 14 anos e a mãe. Depois de aguardar seis anos para começar a receber o benefício de R$ 32, após um ano de pagamento, o dinheiro foi cortado por falta de atualização cadastral, feita a cada dois anos pelas prefeituras.
 
“Quando eu fui na Regional ver o que tinha acontecido, falaram que para eu manter o direito teria que fazer novo cadastro. Mas para isso eu teria que perder um dia inteiro de serviço, porque da primeira vez demorou muito e foi trabalhoso”, afirma Adineia.
 
De acordo com ela, na época que recebeu o benefício, o valor ajudava no orçamento porque Adineia estava desempregada e “tinha mais tempo de esperar na fila”. Hoje, no entanto, ela prefere ficar fora do programa a faltar ao trabalho para resolver a pendência. “No princípio, eu recebia R$ 22 e depois passou para R$ 32. Ajudava, mas o meu gasto hoje é maior que isso. Só de lanche para a minha filha são R$ 100 por mês”.
 
Outros beneficiários identificados pelo Hoje em Dia receberam o contato com desconfiança e se negaram a falar sobre o assunto. Em alguns casos, familiares confirmaram que deixaram de receber o benefício, sem revelar o motivo do desligamento do programa.
 
Conforme divulgado pelo MDS, são citados ainda como motivos para a saída voluntária de núcleos familiares o aumento da renda per capita e a consequente ultrapassagem do teto atual de pagamento do benefício.

São contabilizados ainda desligamentos por decisão judicial ou falta de cumprimento de condicionalidades, como manter os filhos matriculados na escola e com a vacinação deles em dia.
 
Podem ser contempladas famílias com crianças ou adolescentes, com renda mensal por pessoal entre R$ 70,01 e R$ 140.

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