LUTO

Velório encerra jornada de Fuad na PBH, após 1.094 dias: gosto por ‘prefeitar’

Aberta ao público, despedida acontece das 13h às 16h, na avenida Afonso Pena, 1.212

Ana Paula Lima
@anaplimabh
Publicado em 27/03/2025 às 07:40.
 (Maurício Vieira)

(Maurício Vieira)

Fuad Noman (PSD) gostava de “prefeitar”. Com esse verbo - que não está nos dicionários, mas dispensa explicações - anunciou seus planos após tornar público o diagnóstico de câncer, em julho do ano passado. “Continuarei sendo pré-candidato à reeleição da mesma forma que planejei. Trabalhando na Prefeitura, e como gosto de dizer: ‘prefeitando’ de segunda a sexta-feira e fazendo a campanha nos finais de semana”. Foi exatamente o que fez. Assim chegou ao 2º turno e, com 670 mil votos, venceu de virada, reelegendo-se para o comando da capital. Ontem, após 1.094 dias “prefeitando”, 85 deles no novo mandato, Fuad não resistiu e faleceu em consequência de complicações do linfoma não-Hodgkin. O velório, aberto à população, será hoje, das 13h às 16h, na sede da prefeitura de BH.

A batalha no hospital durou 83 dias. Quarenta e oito horas após tomar posse – em 1º de janeiro, já debilitado –, Fuad foi internado por problemas respiratórios. Nesse intervalo, enfrentou entubação, traqueostomia, uma temporada na UTI e, na noite de terça-feira, uma parada cardiorrespiratória. Foi reanimado, mas 12 horas depois o hospital divulgou a morte, às 11h27.

O quadro de Fuad havia se agravado nas últimas semanas, e o gestor começou a perder lucidez, por conta de problemas neurológicos decorrentes do tratamento. Mesmo assim, a parada cardíaca pegou a equipe de surpresa, revelaram os médicos em entrevista coletiva, na tarde de ontem. Mais cedo, o boletim divulgado pelo Hospital Mater Dei já antecipava que a situação era delicada, ao classificar o estado do prefeito como “bastante grave”. Ele tinha 77 anos.

A morte de Fuad gerou comoção no meio político, no mercado e entre eleitores. Nas manifestações de pesar à família, apoiadores e até adversários políticos destacaram o perfil pacificador de Fuad, que era visto como um homem “do diálogo”. 

Tal postura contribuiu para que o economista ganhasse a eleição. Nas primeiras pesquisas de intenção de voto, ele nem aparecia entre os candidatos favoritos. No decorrer da campanha, porém, o “homem do suspensório” acabou sendo identificado pelos eleitores, o que o levou para o segundo turno com Bruno Engler (PL) e trouxe a vitória de virada em 27 de outubro – feito que só Alexandre Kalil havia conseguido na capital mineira, desde a redemocratização. 

O Governo de Minas e a Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) decretaram luto oficial de três dias em homenagem ao prefeito da capital mineira. Fuad deixa a esposa, Mônica, dois filhos e quatro netos. 

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