Será que bater no adversário traz ou tira voto na eleição?

14/09/2016 às 20:19.
Atualizado em 15/11/2021 às 20:50

À exceção dos dois primeiros colocados nas cinco pesquisas já divulgadas, a maioria dos nove candidatos que estão fora do jogo na briga pela Prefeitura de Belo Horizonte passam o dia perguntando o que fazer e como atingir o eleitor. Na falta de soluções, decidiram que não há outro meio que não seja bater no adversário para que ele caia. O alvo da vez é o segundo colocado nas pesquisas, Alexandre Kalil (PHS).

Desistiram até de fazer a segunda pergunta, se bater pode tirar votos do atacante. Especialista em eleição, o secretário da Saúde, Sávio Souza Cruz (PMDB), convenceu o candidato de seu partido, Rodrigo Pacheco, de que não há amizades na disputa. O candidato oficial, Délio Malheiros (PSD), está com a mesma receita. A batalha só está começando na reta final. 

Apoio de Temer é bom ou ruim?
Num tempo em que os padrinhos políticos perderam a influência, Rodrigo Pacheco foi recebido nesta terça (13), no Palácio do Planalto, pelo presidente Michel Temer (PMDB), no qual teve postura mais de ‘prefeito’ do que de postulante, quando pediu apoio para obras federais na capital, entre elas, a desgastada ampliação do metrô. Temer foi receptivo e o autorizou a dizer aos belo-horizontinos que apoia sua candidatura.

Gravar depoimento não o fez para não desagradar o aliado Aécio Neves, senador e presidente nacional do PSDB, que tem candidato (João Leite). Pacheco, agora, está na dúvida se usa a manifestação de apoio ou não. Pesquisas apontam, de um lado, que cresce a rejeição ao presidente com o crescimento do movimento ‘Fora Temer’, depois que ele derrubou a presidente Dilma Rousseff (PT). De outro, elas dizem que estar alinhado com o governo federal dá voto, baseado na crença de haverá ajuda na gestão. Sua assessoria ainda não resolveu o dilema.

Acelerando
O tucano João Leite anda sonhando e acreditando numa vitória de primeiro turno. Nesta quarta (14), ele decidiu gastar munição típica de segundo turno, ao anunciar o apoio de ambientalistas, durante encontro com 26 deles, anfitrionados pelo professor e decano Ângelo Machado.

Mineiros e Eduardo Cunha
A história não tem sido generosa com quem fica contra a corrente e a vontade das ruas. Muitos do que votaram, por exemplo, contra as eleições Diretas-já, em 84, desapareceram do mapa. Na votação da cassação do ex-presidente da Câmara dos Deputados e deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB), oito deputados federais mineiros se omitiram. Desses, cinco simplesmente não apareceram lá e três se abstiveram.

O deputado Marcelo Aro, presidente do PHS/MG, por exemplo, é autor do título de cidadão honorário de Belo Horizonte concedido a Cunha e foi indicado por ele como (atual) diretor de Ética e Transparência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), mas na hora H abandonou o “generoso” amigo e aliado. O deputado e delegado Edson Moreira, que se diz destemido ante a bandidagem, encaminhou o voto pela abstenção e se absteve, como Mauro Lopes, que, antes, pretendia votar a favor do ex-presidente da Casa.

A deputada Dâmina Pereira (PSL) foi a única entre os 53 federais mineiros a votar contra a cassação, assustou Lavras e região, sua base, mas pôs a cara a tapa e ainda defendeu seu voto nas redes sociais, apesar de ter mais recebido mais de 100 comentários bastante negativos.

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