Conforme a PCMG, a carreta estava a quase 100 km/h no momento do acidente
Ônibus tinha aproximadamente 45 passageiros (Divulgação / Corpo de Bombeiros)
O motorista e o proprietário da carreta bitrem envolvida no grave acidente na rodovia BR-116, em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, foram indiciados por 39 homicídios - mesmo número de mortes ocorridas na tragédia, em 21 de dezembro do ano passado. A informação foi divulgada na manhã desta quarta-feira (26) pela Polícia Civil.
Além dos homicídios, o condutor e o dono da empresa de transportes também foram indiciados por lesões corporais, sendo três graves e oito leves, em razão das pessoas que ficaram feridas na batida, que envolveu ainda um ônibus e um carro de passeio.
"O inquérito reuniu provas técnicas e testemunhais, além de diversos elementos que permitiram esclarecer todo o ocorrido e responsabilizar o motorista e o dono da empresa de transporte das pedras de quartzito", disse o delegado delegado Amaury Albuquerque, responsável pela investigação.
(Fernando Michel/Hoje em Dia)
Segundo o policial, alguns fatores contribuíram para o acidente. "O sobrepeso extremo da carga, que estava 77% acima do permitido e o comportamento do motorista, que não respeitava o período de descanso e trafegava em alta velocidade. No momento do acidente, o semirreboque estava a 97 km/h",
Conforme o delegado, a investigação apontou que o veículo transportava uma carga de 103 toneladas. "Infelizmente, o tombamento ocorreu justamente no momento em que passava um ônibus com 45 pessoas, das quais 39 não sobreviveram,morrendo carbonizadas", disse o policial.
O proprietário da carreta ainda foi indiciado por falsidade ideológica, pois inseriu uma nota fiscal com informações falsas sobre a carga, ocultando o excesso de peso. "Ele era o responsável pelo preenchimento de informações falsas em notas fiscais. Ele inseriu uma pesagem falsa das pedras e também do veículo para se furtar da fiscalização, caso ela ocorresse", enfatizou o delegado.
Além disso, o laudo pericial revelou que o motorista estava sob o efeito de substâncias ilícitas no momento da tragédia. O exame detectou a presença de álcool, cocaína e ecstasy, além de antidepressivos e ansiolíticos.
Com 39 mortes, a batida entre os veículos é considerada a maior tragédia em rodovias federais desde 2007, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
O acidente ocorreu na madrugada de 21 de dezembro, quando a carreta, carregada com um bloco de granito, colidiu com um ônibus.
A força do impacto causou a morte de 39 pessoas e deixou várias feridas. A maioria das vítimas ficou presa às ferragens e morreu carbonizada. Os corpos foram identificados por meio de exames de DNA, papiloscopia e odontologia legal.
O motorista fugiu do local e foi preso dois dias após o acidente, quando se entregou à polícia, no Espírito Santo.